Me chamo Mayra Bezerra, sou as mãos por trás do Ateliê Lama Sal. Nasci e sou enraizada na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro e é desse território que nasce grande parte da inspiração pra tudo que crio.
O nome do ateliê surge dessa mistura: lama e sal, barro e mar, interior e litoral. Sou feita de muitos caminhos que se encontram no fazer manual.
Sou bisneta de uma ceramista paraibana, Maria Rita Silvina, que nunca conheci, mas que me atravessa pelas histórias contadas por minha avó. Ela fazia panelas de barro, queimadas em buracos no chão, vendidas em feiras. Essa memória de imaginar a infância da minha avó ficou guardada em mim e foi importante pra que buscasse intuitivamente o que hoje é minha profissão.
Meu encontro com a cerâmica veio em 2020, em um momento de incerteza e silêncio. Eu já desenhava e pintava há anos, mas foi no barro que reencontrei sentido. Comecei coletando argilas de diferentes cores nas falésias da região, experimentando sem técnica, apenas guiada pelo desejo de tocar a matéria.
Em 2021 conheci a ceramista e professora Lu Rizzi, que abriu caminhos para meu aprendizado. Fui bolsista em seu ateliê, participei de oficinas, seminários e, em 2023, concluí uma formação básica em cerâmica com duração de oito meses.
Hoje, cerâmica e ilustração caminham juntas na minha produção. A principal identidade do ateliê está no barro ornamentado com riscados, um campo de pesquisa que sigo explorando com dedicação.
O Ateliê Lama Sal, criado em maio de 2025, é o espaço onde desenvolvo minha linguagem visual e busco quem saiba lê-la. Meu trabalho é uma comunicação não verbal: uma fala que procura os olhos e o tato.
